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Outubro 10, 2008

A CONQUISTA DE CEUTA

 

Assinada a paz com Castela, em 1411, D. João I procurou resolver os problemas do reino que estava pobre.

As conquistas no Norte de África surgiram como uma solução: agradavam à nobreza que procura a guerra como forma de obter honra, glória, novos cargos e títulos; agradavam ao clero pois era uma forma de combater os Mouros, inimigos da religião cristã; agradavam à burguesia pois assim poderia controlar a entrada do Mar Mediterrâneo e o comércio de escravos, ouro, especiarias e cereais.

 

Assim, em 1415, uma poderosa armada preparada por D. João I tomou a cidade de Ceuta: 33 galés, 27 trirremes, 32 birremes e 120 outros barcos, onde se amontoaram 50 mil soldados - todos "cruzados" (ou seja, com cruzes de tecido coladas aos uniformes, já que partiam para uma guerra santa).

O comando da armada foi entregue aos filhos do rei dom João I, entre os quais o infante dom Henrique. Na manhã de 14 de agosto de 1415, com Ceuta desprotegida - por um inexplicável desleixo do soberano Sala-bin-Sala -, os lusos invadiram a cidade como uma horda de bárbaros. Mataram milhares de mouros, saqueando tudo o que podiam encontrar, destruindo lojas, bazares, mesquitas e o palácio do governante. Depois de dez horas de batalha desigual, contra adversários desarmados, os portugueses tornaram-se senhores de Ceuta.

Contudo, os Mouros desviaram as rotas comerciais para outras cidades do Norte de África. Ceuta tornou-se uma cidade cristã isolada e constantemente atacada.

Os Portugueses iniciam então as viagens por mar na esperança de chegar ao local de origem do ouro e das especiarias.

A minha viagem a Ceuta – fui conquistada!

A História dos Descobrimentos começa com a tomada de Ceuta. Assim, através do estudo da História, sempre tive uma enorme curiosidade em conhecer Ceuta.

Aproveitando umas férias em Agosto de 2002, meti-me à estrada, com o objectivo de visitar a cidade espanhola de Ceuta, dando também um salto ao rochedo inglês de Gibraltar.

                                                                

 Viajámos de automóvel até Algeciras, no sul de Espanha. Aí apanhámos um ferryboat para usufruir da travessia do mítico estreito de Gibraltar. É um sítio fabuloso. Uma paisagem linda, o Atlântico e o Mediterrâneo a tocarem-se, África e a Europa (Reino Unido incluído) todos tão perto, quase a tocarem-se.

 As colunas de Hércules* e toda a carga existente naquele local onde começava antigamente o Novo Mundo e o Desconhecido, conseguem fazer com que a travessia seja sempre colada à janela e de máquina fotográfica em punho. A viagem é rápida, cerca de uma hora e estamos em África.

A segurança é, como devem imaginar, apertada e à entrada e saída do ferry somos compelidos a passar por uma daquelas máquinas de raio-x que tratam de verificar o interior das nossas malas e demais pertences.

A actividade demora mas lá se faz, e então estamos em Ceuta e, mais importante, pisamos o solo do continente africano.

Ceuta é uma cidade fantástica e deixei-me conquistar por ela. A cidade percorre-se relativamente bem a pé, o centro tem as ruelas antigas cheias de comércio, os monumentos aparecem em cada esquina. Na cidade encontram-se povos de três religiões – católicos, judeus e árabes – com as suas culturas evidenciadas pelas casas, pelas lojas e pelos restaurantes. As igrejas e capelas católicas convivem com a mesquita e a sinagoga.

Destaco o forte imponente rodeado por águas salgadas e a muralha dos portugueses. Mas para uns dias maravilhosos de férias aconselho o grande e moderno Parque Marítimo do Mediterrâneo.

Depois de uma semana bem passada em Ceuta os viajantes seguiram para Gibraltar mas isso fica para um próximo post.

*As colunas de Hércules são dois promontórios que existem à entrada do estreito de Gibraltar, um em África (o monte Hacho em Ceuta) e outro na Europa (o rochedo de Gibraltar).

O nome provém da mitologia grega, em que se conta que Hércules, para realizar um de seus doze trabalhos, teria necessidade de transpor um estreito marítimo.

 Dispondo de pouco tempo, resolveu abrir o caminho com seus ombros ligando, assim, o Mar Mediterrâneo ao Oceano Atlântico. No Parque Marítimo do Mediterrâneo existe esta estátua de Hércules que evoca esta cena mitológica.


Outubro 08, 2008

MONSTROS MARINHOS - A AMBIÇÃO VENCEU O MEDO NOS DESCOBRIMENTOS

 

Na Idade Média, numa época de pouca divulgação cultural ou científica, o povo imaginava monstros e coisas maravilhosas, bem como uma série de criaturas fabulosas a viver nos oceanos.

 Considerava-se que a Terra e o Mar eram dois mundos paralelos, pelo que certos animais terrestres já conhecidos teriam certamente os seus correspondentes a viver no mar. Mas foi apenas com os primeiros relatos dos descobrimentos que surgem referências escritas a diversos monstros marinhos.

Criaturas fabulosas e homens sem cabeça

Navegar com terra à vista, como aconteceu nas primeiras viagens, não levantava grandes problemas. Porém, quando começaram a entrar no pelo mar alto, os marinheiros tiveram muito medo.

Medo das tempestades, medo de se perderem e não conseguirem regressar. Ma sentiram também um enorme receio provocado pelas histórias que se contavam sobre o que existiria para lá do mundo conhecido. Dizia-se que os monstros marinhos engoliam os barcos, o calor fazia ferver as águas, os homens e os animais eram monstruosos…

Seres imaginários

O termo monstro marinho surge, a partir do século XV, não necessariamente relacionado com uma criatura mítica medieval, mas associado à ocorrência de um enorme ser, assustador e nunca antes visto.

Na extensa história Atlântica de Portugal existem inúmeras referências a monstra marina, muitas vezes com nomes até conhecidos, como baleias, golfinhos e outros peixes como esses. As viagens por mares e terras não explorados levaram os homens ao encontro de uma natureza inóspita, e colocaram-nos face a ambientes diferentes e singulares. Obrigaram-nos a enfrentar a perplexidade relativamente à fauna e flora encontradas, completamente incógnita e deveras admirável.

Monstros 

Podemos, portanto, perceber que a fantasia criada em torno dos monstros marinhos, encontra o seu fundamento em vislumbres de animais reais, nas raras e surpreendentes observações de seres marinhos, que até então permaneciam um verdadeiro mistério.

 Monstros devoradores

Os Lusíadas constituem um capítulo da história marítima portuguesa, a glorificação do descobrimento do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama, escrito pelo marinheiro e poeta Luís de Camões.

 A narrativa assenta na realidade histórica do povo português, mas os acontecimentos reais são também influenciados pelos deuses da mitologia, os anjos e os santos.

O Gigante Adamastor

Mas, para além das suas características épicas e históricas, Os Lusíadas são também uma fonte valiosa de descrições da paisagem, da geografia, dos animais e das plantas ao longo da viagem marítima para a Índia. Na verdade muitos dos seres vivos que os navegadores portugueses encontraram ao longo da sua jornada foram nessa altura observados pela primeira vez. Outros, no entanto, eram já mais familiares, fosse por fazer parte, ou por serem semelhantes a outros, da fauna e flora de Portugal ou de outras regiões conhecidas. Fazendo referência apenas aos mamíferos marinhos que surgem como a base biológica sobre a qual o autor construiu o poema, encontramos os golfinhos ou delfins e as focas ou quoquas.

Mais misteriosas e mitológicas surgem as sereias ou sirenas, que enfeitiçavam os marinheiros com os seus cantos, mas na verdade têm a sua origem nos gordos e pachorrentos manatins e dugongos.

As sereias

O poema de Fernando Pessoa “O Mostrengo” simboliza, claro está, o medo do desconhecido (o "mostrengo") que os navegadores portugueses tiveram que vencer. A causa próxima dessa coragem é, segundo Fernando Pessoa, obedecer às ordens do rei D.João II.

O Mostrengo

  Texto adaptado de:

http://www.pluridoc.com/Site/FrontOffice/default.aspx?Module=Files/FileDescription&ID=422&lang=pt

http://www.pluridoc.com/Site/FrontOffice/default.aspx?Module=Files/FileDescription&ID=423&lang=pt

Agora apreciem estes seres fabulosos desenhados nos cadernos dos meus alunos.

Não são um espanto?

 


Outubro 06, 2008

MEGALITISMO PORTUGUÊS - A MAMOA DE MADORRAS

Passeio de Domingo à Mamoa das Madorras e a S. Leonardo da Galafura

No Domingo de manhã fomos todos a S. Leonardo da Galafura, este miradouro oferece um dos mais extraordinários panoramas sobre o rio Douro e sobre os socalcos do Vinho do Porto.

Os Serranos, incansáveis, tudo nos proporcionaram, conseguiram um autocarro da Câmara Municipal de Sabrosa que nos conduziu por terras e montanhas até ao cimo, bem perto do céu. Aqui avistámos a paisagem que é Património Mundial – o Alto Douro Vinhateiro - desde 2001. Um título, atribuído por unanimidade, que premiou a Região vinícola demarcada mais antiga do mundo, decretada pelo Marquês de Pombal, em 1756. Região única por reunir as virtudes do solo xistoso e da sua exposição solar privilegiada com as características ímpares do microclima temperado pelo rio Douro em conjunto com o trabalho árduo do homem.

 

Dali observam-se os montes imponentes e as encostas com as famosas vinhas dispostas em socalcos que parecem querer represar o rio, vedando-lhe o caminho para o mar. Os visitantes ficaram extasiados com tanta beleza e diziam:

- Sim, agora percebemos onde se inspirava o poeta!

- Que beleza! Que paisagem grandiosa!

Em baixo, o Douro corre, azul e sereno, beijando as margens, verdes e ensolaradas, as quintas e casas solarengas. Foi um local muito amado por Miguel Torga que dizia que São Leonardo era como um barco de quilha para o ar, que a natureza voltara a meio do vale.

Aqui a amiga bloguista Manuela Pinheiro e um outro amigo (trisneto de Camilo Castelo-Branco), declamaram os poemas de Torga em tão sublime cenário.

Em seguida dirigimo-nos a outra serra, linda também, mas com outras características. Ao dobrar a serra de Nossa Senhora da Azinheira, para lá de São Martinho de Anta, deixa-se para trás a paisagem do vale do Douro e entra-se noutro mundo.

Uma vez esta fronteira natural franqueada, abre-se na nossa frente uma paisagem agreste, com declive menos pronunciado, com vegetação composta essencialmente por silvas, torgas, giestas… com pedregulhos de todos os tamanhos e formatos, voltados para o céu, formando figuras insólitas a que os Serranos já deram nomes, nos seus inúmeros passeios ao campo.

Naquele sítio, os povos do Neolítico deixaram um monumento funerário - a mamoa de Madorras – escavada agora no solo, um monumento que se encontrava coberto de terra até há pouco tempo. Este monumento está hoje ao relento e abandonado no meio do monte; podia ser mais divulgado e protegido, mas ainda aguarda a atenção que merecia.



"Corria o ano de 1912 quando Albino dos Santos Pereira descobre um monumento megalítico, denominado de Mamoa das Madorras. Apesar da sua importância, esta descoberta, só foi alvo de trabalhos de intervenção arqueológica entre os anos de 1983 e de 1988, ao encargo do Dr. Huet de Bacelar (num total de cinco campanhas). Nestes 5 anos de escavações foi possível, entre muitas outros aspectos, datar com alguma exactidão este monumento como sendo do Neolítico Final-Bronze Inicial. Foram ainda descobertos no local vários artefactos entre os quais fragmentos de cerâmicas, lâminas em pedra, contas de colar em xisto e ídolos entre outros. Todas as descobertas e resultados foram de extrema importância para o conhecimento das comunidades que há cerca de 5 000 anos construíram esta imponente sepultura e habitaram a região circundante. "


Em
Espigueiro.


Outubro 04, 2008

O ROMANCE DE D. PEDRO E D. INÊS

CRIEI OUTRO BLOGUE PARA DESENVOLVER UM PROJECTO COM A TURMA DO 6ºB RELACIONADO COM O ESTUDO DE UMA HISTÓRIA DE AMOR:

 

- O ROMANCE ENTRE D. PEDRO E D. INÊS

 

 http://sol.sapo.pt/blogs/OlindaGil1/default.aspx

 

Visitem-nos!

Os trabalhos serão realizados nas aulas de História e de Estudo Acompanhado.


Outubro 01, 2008

Tributo a Nelson Vilela – Um Grande Professor e um Grande Transmontano

Mas quem é o Dr. Nelson Vilela?

         De uma maneira ou de outra, todos somos produto de uma vida, somos resultado da nossa historicidade, do nosso contexto social, as escolhas que teremos de fazer serão um produto histórico. As ideias não surgem do nada, como pensaram algumas tradições metafísicas, elas são aquilo que nos foram deixando aqueles que connosco contactaram. Vou fazer alguns artigos de homenagem aos grandes professores que me influenciaram na minha caminhada.

O Professor Nelson Vilela é aquele a quem devo o conhecimento de Torga e de Fernando Pessoa. Foi o único Professor-Poeta que tive. Nos anos 80, era o nosso Professor de Português e de Literatura Infantil na Escola do Magistério Primário de Braga onde aprendíamos o amor à poesia e aos nossos poetas.

Falava do telurismo de Torga que é essencialmente transmontano e esse Trás-os-Montes da sua alma, entrava nas aulas de Português e nas nossas cabecinhas ávidas.

As aulas eram alegres, entre gramática e figuras de estilo, poesia e prosa, o latim e o grego na explicação do português, vinha uma asneira, e o riso do professor fazia-se ouvir várias vezes, umas gargalhadas sãs, intercaladas com comentários jocosos e brincalhões que utilizavam expressões transmontanas típicas que nunca tínhamos ouvido:

“- Uma semana transcorrida e o trabalho ainda não foi feito?”

“- Ai moça, que trabalho mal-amanhado tu aqui tens.”

“- Tu sim, és a mais desempenada, ora bota aí a leitura do teu trabalho para os outros escutarem.”

“- Enxurradas de asneiras nessa resposta, ó minha Nossa Senhora, dai-lhes juízo!”

“- Bem hajam por terem positiva no teste!”

Verbos como botar, embrenhar, afoitar, esconjurar, ensandecer, acudir, zombar, perecer, ensebar, cismar, entraram no nosso vocabulário e enriqueceram-no um pouco mais.

Recordo com saudade estes tempos em que todos ambicionávamos o conhecimento que nos tornasse bons professores como ele, lembras-te Fátima? Lembras-te Esmeralda?

MAR PORTUGUÊS --O MOSTRENGO -mensagem de "O SAL E AS LÁGRIMAS " NELSON VILELA

E Disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tetos negros do fim do mundo?
E o homem do leme disse, tremendo:
El Rei D.João Segundo»


O Mostrengo,
Depois que nasceu o Cravo,
Na madrugada a dealbar,
Ergueu-se de novo e com firmeza
Rodou, rodou,
E entrou a sereiar:
-Queres amizar comigo?
Há outro ouro, outra grandeza,
Vem fruir, vamos lupanar-

E rodou, rodou sem tremer,
Três vezes rodou
Para convencer, para confirmar:
_Vê, já baixas-te as velas
E fendes-te as quilhas
Que el Rei D.João Segundo
Mandou semear.
Vem comigo, dou-te outras maravilhas
Seduziu o Mostrengo, de novo a chiar.

-Arrenego-te, Mostrengo!
Aqui onde estou, sou um povo verdadeiro
Que, com honra e sangue,
Já lavou por inteiro,
O sangue todo que derramou.
Calou-se o Mostrengo do fim do mundo
Á voz do povo que apertou o leme
De El Rei D.João Segundo

E mais tarde foi professor de Português da minha filha, na Escola André Soares. Que alegria e que orgulho tive em saber que uma vez mais a mensagem daquele homem iria ser absorvida pela pequena mente em formação que era a minha petiza. Numa entrevista li que o poeta não teve tempo de divulgar os seus livros mas que a compensar, ajudou a burilar cabeças para darem bons poetas. E assim foi, e por isso esta homenagem.

Foi sempre um professor justo, amigo e sobretudo modesto com a sua sabedoria.

Nunca esqueci este grande mestre e o seu exemplo fez de mim uma pessoa melhor.


Obrigada Professor Nelson!

Nelson Vilela, nasceu em Vilarinho da Samardã, em 1933 e foi o oitavo filho de uma família numerosa  de 14 irmãos. Cursou Teologia no Seminário de Vila Real. Aos 18 anos publicou o seu primeiro livro de poesia "Saudade", com autorização do Bispo D. António Valente da Fonseca que por ele nutria muito carinho e o encorajamento do ilustre filólogo Monsenhor Ângelo do Carmo Minhava. Que do Nelson fez saber: " Homem de raras qualidades, mas muito modesto, podia, se outro fora o seu temperamento,  impor-se no arraial das letras..."    Em Portugal só quem for aventureiro é que trepa...

          Nunca tendo exercido qualquer ónus eclesiástico, pediu e obteve dispensa desse múnus e dedicou-se ao Ensino, após se ter licenciado em Filologia pela Universidade do Porto.  

Leccionou em Mondim de Basto, Nova Lisboa, Évora, Alcácer do Sal, Chaves e Braga. Foi formador, orientador e avaliador de Professores. Leccionou em Évora no Colégio Nuno Álvares, em Alcácer do Sal no Externato Dr. José Gentil, no Externato Nossa Senhora da Graça Mondim de Basto, no Liceu Nacional de Nova Lisboa, no Liceu Nacional de Chaves e nas Escolas do Magistério de Chaves e de Braga.

Leccionou também na Escola André Soares Braga. A sua dedicação ao ensino deixou para trás a sua actividade literária. Vive em Braga, mas sempre a sonhar com as raízes. Pertence à Associação dos Autores de Braga e já fez parte da Direcção: Tem feito várias palestras sobre assuntos literários.

OBRAS: Saudade (poesia), Asas de Espuma (poesia), Inquietação (poesia), Mar e Sombra (poesia), Pedaços do meu sonho (poesia), Regresso (poesia), Sempre em Caminho (poesia), Livro de Carla (Infantil prosa e verso), Linguagem Humana (prosa), Viagem pela poesia portuguesa (antologia), Sobre a Terra e Sobre o Mar (teatro), O Sal e as Lágrimas (poesia) e Entre urgueiras e carqueijas (contos).

In i volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses, coordenado por Barroso da Fonte.

          " E orgulho tenho de nascer assim

             Podem rufar tambores, arrais e viras

             É de lá que sou... foi de lá que vim."

                                           In Sempre em Caminho, de Nelson Vilela


Setembro 29, 2008

VIAGEM AO MUNDO ENCANTADO DE TORGA

Foi com enorme prazer que viajei neste último fim-de-semana para Sabrosa e me encontrei com esse "mundo encantado" de Miguel Torga.

  torga 

Torga é um arbusto de grande porte da família das Ericáceas que se desenvolve em matos, pinhais, próximo de rios e ribeiros e que floresce de Fevereiro a Agosto. Capaz de ternura e respeito pelo homem e pela Natureza, Torga escreveu:

Coimbra, 11 de Abril de 1957.

  Monumento a Miguel Torga em S. Martinho de Anta

Letreiro

Porque não sei mentir,

Não vos engano:

Nasci subversivo.

A começar por mim - meu principal motivo

De insatisfação,

Diante de qualquer adoração,

Ajuízo.

Não me sei conformar

E saio antes de entrar,

De cada paraíso.

Texto retirado de: Torga, Miguel, Antologia Poética

Ali estou eu em S. Martinho de Anta, escondida atrás do Grande Miguel Torga.

Pois foi amigos, uma paisagem indescritível, dois dias ensolarados, um grupo de amigos dispostos a divertirem-se, boa comida, lagaradas, bebida do melhor e conversas sem fim.

Adorei mais um encontro de bloguistas e tive pena de ter de me ir embora.

Para o ano há mais, ou será que ainda este ano nos encontramos?


Setembro 22, 2008

Esta semana tenho de agradecer ao SOL

O meu blogue é o blogue da semana de 21 a 26 de Setembro de 2008! Fiquei tão vaidosa e contente com esta nomeação que não resisti a fazer um post de agradecimento.

Agradeço ao SOL e a todos os amigos, alunos e leitores desta comunidade que me vêm acompanhando ao longo de dois anos.

Sim, o meu blogue faz dois anos em breve, e neste espaço conheci muitos amigos que encontrei posteriormente em almoços e jantares de membros do SOL.

E no próximo fim-de-semana o Encontro de Blogues do SOL é em Sabrosa, não se esqueçam. Vou festejar convosco esta alegria proporcionada pela Equipa do Jornal SOL.

 

 

Ao Bluewater que desde o primeiro momento se ofereceu para me tirar todas as dúvidas, a quem recorri várias vezes e que mais uma vez me desenrascou as imagens deste post, um grande OBRIGADA.

 

OBRIGADA SOL!


Setembro 17, 2008

BRIC - SABES O QUE É O BRIC?

Brasil, Rússia, Índia e China

Antes de 2040, o Brasil, a Rússia, a Índia e a China converter-se-ão, em conjunto, na maior força da economia mundial. Sonho de uma noite de Verão?

  BRASIL

A sigla BRIC – é formada pelas iniciais de Brasil, Rússia, Índia e China, os países que formam o pelotão de elite das economias emergentes - entrou apenas recentemente para o jargão do mundo dos negócios. Mas daqui para a frente será virtualmente impossível ignorar seu significado para a economia global.

RÙSSIA 

O termo BRIC, criado em 2001 pelo analista de mercado Jim ONeill, do banco Goldman Sachs, procura sintetizar essa expectativa criada em torno desses países. Serão, nos próximos anos, os tijolos ("bricks", em inglês) sobre os quais os mercados de investimento irão apoiar suas estratégias de expansão.

ÍNDIA

O termo foi concebido há sete anos por uma equipa de investigadores do banco americano Goldman Sachs, que descreveu num estudo os primeiros movimentos do que deve se configurar como a mais importante transformação na ordem económica mundial nesta primeira metade do século XXI.

CHINA

Baseados em estimativas de evolução dos mercados, da produção e da demografia, os analistas do Goldman Sachs prognosticaram que, no decorrer das próximas décadas, os quatro países líderes deverão ascender ao topo do ranking das maiores economias do planeta.

Nesta trajectória, os países citados ultrapassarão as actuais potências, como o Japão e a Alemanha. Pelo menos um dos quatro, a China, deverá ultrapassar até mesmo os Estados Unidos e alcançar a liderança económica do planeta.

Se os pesquisadores estiverem correctos, os países do BRIC deterão em poucas décadas quatro das sete maiores economias do globo. "Em breve o mundo será muito diferente do que conhecemos hoje", diz Jim O'Neill, director de pesquisas económicas do Goldman Sachs. "Os rumos dos negócios cada vez mais dependerão do sucesso ou do fracasso desses quatro países."

O BRIC não se trata de um bloco económico, político ou militar, semelhantemente ao que ocorre com Mercosul, União Europeia e a OTAN ou NATO, respectivamente. Podemos classificar o BRIC como uma associação comercial de cooperação mútua, elaborada desde 2002 para alavancar o crescimento das economias emergentes.

Juntos, os países do BRIC representam uma força global poderosíssima: mais de 40% da população mundial e um PIB de mais de 85 triliões de dólares.

As funções dentro do BRIC naturalmente ficariam definidas: o Brasil serviria como fornecedor de alimentos; a Rússia, de petróleo e gás natural; a Índia, de mão-de-obra e a China, de tecnologia. Se, de facto, formassem um bloco económico, seriam as maiores potências do mundo segundo projecções, tornando-se um bloco de omnipotência mundial.

De acordo com o estudo, em menos de 40 anos, as economias desses quatro países superarão, juntas, a economia do actual G6, composto de EUA, Japão, Alemanha, França, Itália e Reino Unido. E, em 2050, apenas EUA e Japão conseguirão manter-se entre as seis maiores economias do mundo.

Qual é a explicação para essa mudança no cenário mundial? São cinco as explicações, todas relativas a transformações em cinco aspectos fundamentais: tamanho da economia, crescimento económico, renda per capita e demográfica, padrões da procura mundial, e movimentação do dinheiro. Ou seja, na segunda metade deste século XXI, o quadro das dez principais economias do planeta será muito diferente do actual.

Características comuns destes países:



- Economia estabilizada recentemente;


- Situação política estável;


- Mão-de-obra em grande quantidade e em processo de qualificação;


- Níveis de produção e exportação em crescimento;


- Boas reservas de recursos minerais;


- Investimentos em sectores de infra-estruturas (estradas, ferrovias, portos, aeroportos, indústrias hidroeléctricas, etc.);


- PIB (Produto Interno Bruto) em crescimento;


- Índices sociais em processo de melhoria;


- Diminuição, embora lenta, das desigualdades sociais;


- Rápido acesso da população aos sistemas de comunicação como, por exemplo, telemóveis e internet (inclusão digital);


- Mercados de capitais (Bolsas de Valores) recebendo grandes investimentos estrangeiros;


- Investimentos de empresas estrangeiras nos diversos sectores da economia. 

Reparaste que um dos países do BRIC fala a língua portuguesa?



 

 


Setembro 10, 2008

HOJE APARECI NO PÚBLICO - FUI UM DOS 85 PROFESSORES INQUIRIDOS DA 1ª PÁGINA DO PÚBLICO

 

 

Educação

Inquérito: 85 professores dizem o que vão fazer para melhorar a escola 

10.09.2008 - 07h00

A pergunta foi por email, enviado de forma aleatória, para professores de todo o país. As respostas foram chegando e ultrapassaram as 85 esperadas e publicadas na edição impressa. Aqui estão as frases, na íntegra, não só dos primeiros 85 professores e educadores de infância que responderam ao desafio, mas de todos os que foram participando. Apesar de muitos confessarem estar desmotivados, a grande maioria concorda: Vai fazer o seu melhor porque o mais importante são os alunos.

 Recolha de Bárbara Wong

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1342184


Setembro 01, 2008

SE ÉS UM DOS 40 MIL PROFESSORES SEM COLOCAÇÃO, APROVEITA A OFERTA DA IRLANDA

A Irlanda tem falta de professores e educadores. Se não ficaste colocado e não tens esperanças de o ser por pertenceres a um grupo de recrutamento onde há muitos horários zero, pensa na possibilidade de concorrer a um lugar de professor na Irlanda.

Para além de ganhares o dobro, livras-te da burocracia imposta às escolas e aos professores portugueses.

Há dois requisitos que têm de se cumprir para concorrer: ter uma licenciatura ou mestrado que dê habilitação profissional para o ensino e ser fluente em Inglês.

 

Toma nota destas dicas:
1. Vai ao website de oferta de emprego jobs.ie: http://www.jobs.ie/ e escolhe uma das 111 ofertas.
5. Procura também em jobsearch: http://www.jobsearch.ie/
6. Não fiques parado à espera que apareça uma vaga em Portugal.
7. Se ousares ir ensinar para a Irlanda e fores contemplado com um lugar numa escola de Dublin ou de Cork, não penses que vais ficar muito longe de casa. A Ryan Air faz voos para a Irlanda a muito baixo custo. Do Porto, podes fazer a viagem para Dublin por apenas 50 euros. Em algumas alturas do ano, por muito menos.
E lembra-te de que a viagem demora apenas uma hora. No fundo, se fores ensinar para a Irlanda, ficarás mais perto de casa do que se fores ensinar para o Algarve, tendo casa e família em Bragança.
Texto adaptado de http://www.profblog.org/

 


Agosto 26, 2008

COMO ESTUDAR HISTÓRIA E GEOGRAFIA DE PORTUGAL?

AOS ALUNOS DO 6ºB

DEVEM SEGUIR OS SEGUINTES PONTOS NO VOSSO ESTUDO:

- Deves ter o teu caderno diário sempre organizado e em dia;
- Deves rever sempre a última matéria que foi dada na última aula e verificar se há trabalho de casa;
- Reler com atenção as páginas do manual dadas na última aula;
- Sublinhar no manual os aspectos mais importantes que devem ser compreendidos e fixados;
- No caso de não compreenderes alguma matéria tomar nota para perguntar na próxima aula;
- Se quiseres saber mais dalgum aspecto pesquisa em enciclopédias e na Internet (wikipédia e sites de interesse neste blogue).

IMPORTANTE: NUNCA COMECES POR FAZER O TRABALHO DE CASA, SEM TERES ESTUDADO PRIMEIRO!

Atenção que pesquisar é:
- Aprender mais
- Aprender de outro modo
- Recolher informação variada (textos, gravuras, jornais, Internet
- Escolher o que interessa, consultando o dicionário para entender a informação
- Tentar resumir por palavras nossas essa informação
- Dar uma opinião pessoal sobre o assunto investigado
- Indicar as obras consultadas
- Preocupar-se também com a apresentação do trabalho

NÃO É:
- Copiar sem entender a informação
- Entregar fotocópias
- Usar o trabalho dos outros sem indicar os seus nomes
- Preocupar-se mais com a apresentação do que com o conteúdo do trabalho
- Pedir ao pai ou a qualquer parente que faça o trabalho
- Despachar-se a pesquisar sem grande esforço pessoal

Fonte: Isabel Malho
http://members.tripod.com/catrineta2/

REVISÕES DO 5º ANO:

Carina, 5º ano

http://curteahistoria.no.sapo.pt/Ambiente_natural/Actividades/caracteristicas.htm

 

Carina, 5º ano

http://curteahistoria.no.sapo.pt/Ambiente_natural/Actividades/fogo.htm

 

Carina, 5º ano

http://curteahistoria.no.sapo.pt/Ambiente_natural/Actividades/agro2.htm

http://curteahistoria.no.sapo.pt/Ambiente_natural/Actividades/agro4.htm

 

 Carina, 5ºano

 http://www.deemo.com.pt/exercicios/hg/5/hgp5_rommucpenib.htm

 

 http://www.deemo.com.pt/exercicios/hg/5/hgp5.afhenrind.htm

 

Beatriz, 5º ano


Agosto 10, 2008

A Saga dos Professores Contratados - O Professor Hélio Branco

         Hoje vou homenagear um colega que não vejo ao vivo há tempos mas que vi há poucos dias no segundo canal da RTP.

         Há cerca de cinco anos, tive a sorte de trabalhar na Escola EB 2,3 de Sabóia com um colega divertidíssimo, o Professor Hélio Branco. O Hélio é professor de Educação Musical e é um artista da Stand-Up comedy, já nessa altura animava a sala de professores e os jantares que se faziam às terças-feiras à noite.

Vejam uma pequena amostra do seu talento. Aposto que vai longe.

Blogues do Professor Hélio Branco

http://heliobranco.blogspot.com/

http://trifonia21.blogspot.com/

 YouTube:

http://br.youtube.com/watch?v=Jn2UxILGcR0

Obrigada Hélio pelas magníficas noites em que nos alegraste o espírito.

 


Julho 23, 2008

A HISTÓRIA DOS CIGANOS

A História dos Ciganos

Como os ciganos andam tão falados na actualidade resolvi investigar um pouco da sua História.

Texto adaptado de Introdução à história dos ciganos de Denize Carolina Auricchio Alvarenga da Silva, Historiadora e Educadora



Não podemos lidar com a trajectória cigana da mesma forma com que lidamos com o percurso de outros povos que possuem documentos e registos escritos pelos próprios. A sua história é-nos contada a partir do contacto com as outras sociedades.

Os interessados na reconstrução da sua história usaram, principalmente, acervos de arquivos oficiais de locais por onde eles passaram. Alguns utilizaram-se do contacto no quotidiano e da história oral como Maria de Lourdes Sant’ Ana que conviveu durante dois anos em Campinas com seus habitantes Ciganos e Alexandre Mello Moraes Filho e seus colaboradores do Rio de Janeiro.


Lendas e Hipóteses sobre as origens


Para uns, eles seriam de origem indiana, outros acreditam que as origens estejam nos egípcios. Não faltaram também hipóteses de que teriam vindo de algum outro lugar da Ásia como a Tartária, a Silícia, a Mesopotâmia, a Arménia, o Cáucaso, a Fenícia ou a Assíria. Alguns deram crédito às hipóteses de serem europeus de regiões afastadas da Hungria, Turquia, Grécia, Alemanha, Boémia ou Espanha (num misto de mouros e judeus), ou mesmo de africanos de outras regiões (que não o Egipto) como a Tunísia. Mas através de pesquisas estas hipóteses foram sendo descartadas e delas apenas duas continuaram sendo examinadas pelos ciganólogos: a origem egípcia e a indiana.


Ao longo das suas andanças seculares os ciganos incorporaram culturas de diversos países, o que dificulta enormemente os estudos que tentam reconstruir sua origem e dispersão pelo mundo.


Ciganos e alguns estudiosos, recorreram à Bíblia para explicar as suas origens; definiram-se como descendentes de Caim “Sela, de seu lado deu à luz Tubal Caim, o pai de todos aqueles que trabalham o cobre e o ferro” (Genesis, capítulo 4,versículo 22). Aplicou-se também um texto de Ezequiel (capítulo 30, versículo 23) “Dispersarei os egípcios entre as nações, eu os disseminarei em diversos países”, este último trecho foi associado, pois eles eram conhecidos como egípcios quando chegaram à Europa.
Outras versões ainda resistiram ao tempo como a descendência de Caim e por isso o castigo de vagar pelo mundo, a hipótese de terem sido os fabricantes dos pregos que crucificaram Jesus, ou que teriam roubado o quarto prego tornando assim mais dolorosa a pena dele. E ainda que eles seriam os responsáveis pela segurança de Jesus, mas não puderam impedir que o levassem pois estavam bêbados. Há também a teoria que antes da Natividade os egípcios teriam recusado hospitalidade à Santa Família e como punição seus dependentes foram condenados a levar uma vida errante.


Apenas no século XVIII se começou a discutir o assunto com mais seriedade e os linguistas apontaram indícios mais palpáveis na origem indiana em 1753 quando se comparou o idioma romani com o sânscrito, mais precisamente o hindi que é uma de suas derivações.

A partir de análises comparativas dos seus costumes e linguagem com outros de diferentes povos, os estudiosos foram apontando datas aproximadas da sua presença nos locais onde passaram um tempo considerável e adquiriram parte de sua bagagem cultural.

Ainda há divergência entre pesquisadores da ciganologia, mas os estudos mais recentes apontam para a origem indiana.


Ao chegarem a Europa diziam ter vindo do Egipto condenados por Deus a viverem desterrados devido ao pecado de seus antepassados de se negarem a acolher a Virgem Maria e seu filho. Mais tarde verificou-se que não eram originários do Egipto, mas já estavam conhecidos popularmente como egípcios, apesar de não saberem informar onde ficava essa região. Também não é provado que a denominação de egípcios tenha vindo dos ciganos, pode ter sido uma definição dos europeus para explicá-los, baseando-se na escritura de Ezequiel que fala da dispersão dos egípcios. Outra evidência é a falta de elementos egípcios no dialecto cigano.


Comparando-se a língua, o tipo físico e algumas cren&ccedi