http://sol.sapo.pt/blogs/olindagil/archive/2008/02/23/Tran
No início do século XIX a população portuguesa vivia de certo modo isolada. As más estradas e os antiquados transportes assustavam o mais ousado viajante. Em Portugal só na segunda metade do século XIX é que se deram os primeiros melhoramentos e a modernização das vias de comunicação e meios de transporte.
Fontes Pereira de Melo
| Vida e Obra de Fontes Pereira de Melo |
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Nasceu em 1819 e morreu em 1887. Figura grada da política portuguesa da segunda metade do século XIX, integra o governo regenerador constituído em 7 de Julho de 1851. |
Sabes em que consistiram esses melhoramentos?
Factos:
1823-Carreira regular entre Lisboa e Porto em barco a vapor
1853-Utilização de selos postais
1856-Inauguração da linha de caminho de ferro - Lisboa Carregado
1856-Inauguração do Telégrafo eléctrico
1858-Criação das primeiras carreiras regulares, a vapor, entre Portugal e Angola
1861-Inauguração da linha férrea do Barreiro a Setúbal
1863-Inauguração da linha férrea até Évora e da ligação com a Espanha
1864-Inauguração da linha férrea do Norte até Gaia e do Sul até Beja
1870-Inauguração da ligação entre Portugal e a Inglaterra por cabo submarino
1873-Inauguração da linha férrea até Estremoz
1874-Inauguração do transporte público - O Americano
1877-Construção da ponte D. Maria Pia
1877-Inauguração das primeiras comunicações telefónicas experimentais
1882-Inauguração da linha férrea da Beira Alta e do Minho
1882-Inauguração das primeiras redes telefónicas
1887-Inauguração da ponte de D. Luís
1887-Inauguração da linha férrea do Douro
1887-Inauguração da Companhia dos Telefones
1889-Inauguração da linha férrea até Faro
"Grande acontecimento, o caminho de ferro! A vantagem da sua construção em Portugal fora discutidíssima [...]. era curioso ouvir nos serões lá de casa as diversas opiniões [...] a Nação ia gastar montes de libras e um país que possuía o Tejo e o Douro não precisava de mais nada. Os rios muito mais seguros e muito mais barato. Outro dizia que só começassem os comboios onde acabassem os rios [...]. Em todo o caso a maioria era pelo caminho de ferro [...].
Chegou enfim, o solene dia da inauguração [...]. Murmurava-se insistentemente que a ponte de Sacavém não podia resistir ao peso.
Finalmente avistámos longe um fumozinho branco [...]. Quando o comboio se aproximou vimos que trazia menos carruagens do que supunhamos. Vinha festivamente engalanado o vagão em que viajava El-Rei D. Pedro V. O comboio parou um momento na estação de onde se ergueram girândolas de foguetes: Vimos El-Rei debruçar-se um instante e fazer-nos uma cortesia [...]
Só no dia seguinte ouvimos contar certas peripécias dessa jornada da inauguração. A máquina, das mais primitivas, não tinha força para puxar todas as carruagens que lhe atrelaram, e fora-as largando ao longo da linha.
[...] Passaram muita fome os que ficaram pelo caminho. Esses desprotegidos da sorte, semeados pela linha, só chegaram alta noite a Lisboa depois de variadíssimas aventuras [...] Até andou gente com archotes pela linha, à procura dos náufragos do progresso."
Testemunho da Marquesa do Cadaval, (Adaptado).

