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Abril 06, 2008

http://sol.sapo.pt/blogs/olindagil/archive/2008/04/06/O-FI

A Queda da Monarquia

Nas últimas décadas do século XIX, o descontentamento da população crescia. Para pagar as obras públicas, o governo contraía dívidas, aumentava os impostos, e o custo de vida subia. Os pobres estavam mais pobres e os ricos mais ricos.

O Mapa Cor-de-Rosa e o Ultimato

Na Europa, crescia o interesse pelos territórios em África, fonte de matérias-primas para a indústria: algodão, café, ouro, diamantes. Os portugueses fizeram viagens de exploração no interior africano, entre  Angola e Moçambique.

 Capelo e Ivens

Os países mais industrializados (Grã-Bretanha, França, Alemanha) procuravam também assegurar a posse de vários territórios em África. Em 1884-1885, esses países reuniram-se na Conferência de Berlim e decidiram que os territórios africanos seriam dos países que os ocupavam efectivamente, e não dos que os haviam descoberto.

Portugal reage apresentando o Mapa Cor-de-Rosa, no qual exigia para si os territórios entre Angola e Moçambique.

Em 1890, a Inglaterra (que nunca aceitou o Mapa Cor-de-Rosa) apresenta ao rei D. Carlos I um Ultimato: ou os portugueses desocupavam os territórios entre Angola e Moçambique ou o governo inglês declarava guerra a Portugal.

Para grande descontentamento da população, o governo português aceitou este Ultimato.

O Regicídio

Neste clima de descontentamento contra a monarquia, as ideias republicanas ganham adeptos: defendem um presidente eleito à frente do governo, e não um rei. Forma-se o Partido Republicano.

Em 31 de Janeiro de 1891 dá-se no Porto a primeira revolta armada contra a monarquia. No dia 1 de Fevereiro de 1908, em Lisboa, ocorre o regicídio: são mortos num atentado o rei D. Carlos I e o príncipe herdeiro, D. Luís Filipe.

A Revolta do 5 de Outubro de 1910

A revolução republicana começou em Lisboa na madrugada de 4 de Outubro de 1910.

Partiu de pequenos grupos de conspiradores a que a população aderiu.

O exército monárquico não se conseguiu organizar e os revoltosos venceram.

Na manhã de 5 de Outubro de 1910, dirigentes do Partido Republicano, na varanda do edifício da Câmara Municipal de Lisboa, proclamaram a implantação da República em Portugal.

Neste dia terminou a monarquia em Portugal.

Lê este post sobre o assunto aqui abordado.

http://sol.sapo.pt/blogs/olindagil/archive/2007/10/08/O-DIA-5-DE-OUTUBRO-DE-1910.aspx

 

Resolve os exercícios:

http://zeroum.no.sapo.pt/Republica/sb9_Republica_quiz2.htm

 

http://www.deemo.com.pt/exercicios/hg/6/hgp6.1rep.htm

 

 

A 1ª REPÚBLICA

Logo após a revolução do 5 de Outubro, foi criado um governo provisório, presidido pelo Dr. Teófilo Braga.

Adoptou-se a bandeira vermelha e verde e o hino passou a ser "A Portuguesa".

Em 28 de de 1911 realizaram-se eleições para a Assembleia Constituinte que tinha como missão elaborar uma nova Constituição.

A Constituição Republicana ficou conhecida como a Constituição de 1911 pois foi aprovada a 19 de Agosto desse ano.

MEDIDAS PARA MELHORAR A EDUCAÇÃO

Em 1911, 70% da população portuguesa era analfabeta. Portugal precisava de trabalhadores mais instruídos e capazes de acompanhar a evolução das técnicas. Os governos republicanos vão tomar medidas para melhorar a instrução dos portugueses:

 

criaram o ensino infantil para crianças dos 4 aos 7 anos;

tornaram o ensino primário obrigatório e gratuito para as crianças entre os 7 e os 10 anos;

criaram novas escolas do ensino primário e técnico (escolas agrícolas, comerciais e industriais);

fundaram "escolas normais" destinadas a formar professores primários;

criaram Institutos Superiores de ensino técnico;

criaram as Universidades de Lisboa e Porto e reformaram a de Coimbra;

MEDIDAS PARA PROTEGER OS TRABALHADORES

Os trabalhadores, nomeadamente os operários, tinham condições de vida muito difíceis: salários baixos, horário de trabalho com muitas horas diárias, más condições de higiene e segurança no trabalho. Os republicanos defendiam o direito ao trabalho e à justiça social.

Por isso vão tomar medidas para defender os trabalhadores:

em 1910 foi decretado o direito à greve;

em 1911 estabeleceu-se a obrigatoriedade de um dia de descanso semanal;

em 1911 foi publicado o primeiro regulamento das 8 horas de trabalho diário;

em 1913 foi publicada uma lei sobre acidentes de trabalho, responsabilizando os patrões;

em 1919 foi estabelecido em todo o país o horário de 8 horas diárias;

em 1919, passou-se a exigir o seguro social obrigatório para situações de doença, invalidez, velhice e sobrevivência.

Em 1914, os sindicatos uniram-se e surgiu a União Operária Nacional, mais tarde (1919) Confederação Geral do Trabalho.

A mobilização dos trabalhadores para as greves era grande; algumas estendiam-se a todo o país - greves gerais.

O Fim da 1ª República

A 1ª República (que vigorou entre 1910 e 1926) caracterizou-se por uma grande instabilidade:

os governos republicanos não obtinham maiorias absolutas e, por isso, caíam com muita facilidade e frequência, por vezes por motivos mínimos;

a duração média dos governos foi de três a seis meses (chegou a haver um governo que apenas durou dez dias!)

as greves eram constantes.

A 1ª Guerra Mundial

Esta instabilidade social e política foi agravada em 1914, com a 1ª Guerra Mundial. Tratou-se de um conflito que opôs a Grã-Bretanha à Alemanha e que envolveu vários países europeus, entre 1914 e 1918.

Portugal, para garantir os seus territórios em África, apoiou a Grã-Bretanha que venceu a Alemanha.

O país conseguiu manter as colónias africanas mas a situação económica e social agravou-se:

morreram milhares de soldados portugueses;

o desemprego aumentou;

os preços subiram;

faltavam alimentos;

o país endividou-se.

A instabilidade política e a grave situação social e económica conduziram a um descontentamento generalizado.

Começou a ganhar força a ideia de que era preciso "pôr o país em ordem".

 

Escrito por Olinda

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