http://sol.sapo.pt/blogs/olindagil/archive/2008/02/18/As-l
Lucernas
Para combater a escuridão dos caminhos ou dos lugares públicos e nas cerimónias religiosas, usavam os romanos archotes embebidos de substâncias inflamáveis. Dentro de casa, a iluminação fazia-se com velas (candelae), de cera de abelha ou sebo, e lamparinas de azeite (lucernae); usavam-se umas e outras isoladamente ou formando conjuntos de várias unidades em candelabros e levavam-se à rua dentro de lanternas.

As lucernas eram fabricadas por meio de moldes em oficinas especializadas. Julga-se que os pequenos instrumentos metálicos de ponta revirada, tão frequentes em qualquer província romana, terão servido para espevitar ou extinguir a chama. Por serem a forma de iluminação mais usual em todo o mundo romano, as Lucernas eram fabricadas em séries industriais pelo recurso a vários fornos que contavam com uma forte rede de distribuição por todo o império, dispondo de postos de venda diversificados, desde os mercados das cidades, as lojas dos fóruns ou as vendas ambulantes.

Eram usualmente feitas de argila. A parte de cima da Lucerna, chamada de disco, podia ou não ser decorada e apresentava um orifício para o azeite, para fazer arder uma mecha que podia ser de miolo de junco ou fibras de papiro e linho enroladas. Podiam ser transportadas pela asa ou em suportes de metal. Os motivos decorativos abarcavam todos os aspectos do quotidiano romano, desde a mitologia às divindades, a cenas do dia?a?dia, aos motivos eróticos, a cenas militares, às lutas de gladiadores, aos animais, elementos vegetais ou actores de teatro e dançarinos. As Lucernas com cenas eróticas serviriam de amuletos, uma vez que segundo os romanos protegiam?nos dos maus olhares e dos males que poderiam causar atraindo a fortuna e a prosperidade.

O Museu da Lucerna em Castro Verde
Foi em Santa Bárbara de Padrões que foram descobertas largas centenas de lucernas romanas, que remontam ao século I, e que agora podem ser apreciadas e estudadas no Museu da Lucerna, em Castro Verde.

A freguesia de Santa Bárbara de Padrões é constituída por nove aglomerados populacionais, representados simbolicamente por padrões na instalação escultórica da rotunda, à entrada da sede de freguesia, e situa-se a 13 km da sede de concelho.
A origem etimológica do nome da freguesia derivará, da existência de marcos miliários pertencentes à via militar romana que, vinda de Mértola passava por Santa Bárbara de Padrões e ainda por Beja, seguindo até Mérida. Mas se a freguesia já existia nesse tempo - D. Frei Manuel do Cenáculo tivera a oportunidade de o confirmar - o seu povoamento recua a uma época ainda mais remota.
Em 1998, um grupo de arqueólogos, levando a cabo um conjunto de investigações na freguesia, concluiu que Santa Bárbara de Padrões era já ponto de fixação humana, no período megalítico, a avaliar pela descoberta feita no adro da Igreja Matriz de uma pedra, que parecendo à primeira vista uma banco, se tratava de uma verdadeiro menir, assim pode deduzir-se que Santa Bárbara de Padrões já era povoada no período megalítico.

A Igreja de Santa Bárbara fica situada num cerro, onde foram localizadas (em 1994, nomeadamente numa cova situada entre o declive natural da rocha e o muro tosco, junto da ampliação sul do cemitério da aldeia), centenas de lucernas romanas, datadas do séc. I da nossa era. Em face da investigação entretanto efectuada, é possível desde já concluir que "Santa Bárbara de Padrões guardava, debaixo da terra, sem que ninguém soubesse, uma das maiores colecções de lucernas romanas de todo o mundo" era portanto, um santuário.
Sabe-se ainda, que, a construção da igreja paroquial data do século XIII, havendo, todavia quem suspeite "que está no lugar de um templo dos Mouros, ou seja, uma mesquita muçulmana".
A indústria extractiva assume particular relevo na freguesia onde estão em exploração as maiores minas de cobre da Europa nas imediações dos lugares de A-do-Neves e A-do-Corvo. Para além do cobre explora-se actualmente nesta mina estanho e espera-se a médio prazo também o zinco tenha aproveitamento.
O Livro "As Lucernas de Santa Bárbara" da autoria dos arqueólogos Manuel e Maria Maia e que teve a participação nas ilustrações do professor Joaquim Rosa da Escola Secundária de Castro Verde.

http://www.inesting.org/cm_castroverde/loja/detalhe.asp?id=13&id_tipo=6
Museu da Lucerna O Museu da Lucerna abriu as suas portas em Abril de 2004 e reúne um espólio de lucernas da época romana, descobertas em Santa Bárbara dos Padrões. Trata-se de um conjunto de peças dedicadas ao culto e à divindade, um dos maiores conhecidos na Península Ibérica, que foi estudado pelos arqueólogos Manuel e Maria Maia e está agora patente ao público. Este museu serviu de décor a várias cenas do filme "O Pégaso de Alexandreina". |
|
|
|
Endereço
Largo Victor Prazeres - Castro Verde
7780-218 CASTRO VERDE
Distrito: Beja
Concelho: Castro Verde
Freguesia: Castro Verde
E agora uma poesia grega que fala nas lucernas:
Alceu
(Grécia/ Ilha de Lesbos, c. 620 a.C-c.580 a.C.)
Bebamos. Porque havemos
de esperar pelas lucernas?
O dia tem a extensão de um dedo.
Traz as taças grandes, meu amor, as coloridas
taças.
O filho de Sémele e de Zeus aos homens
o vinho deu para esquecimento de seus males.
Enche-as até transbordarem - uma parte de vinho
para duas de água.
E que uma taça empurre a outra.