Com a idade vem a experiência e a vontade de partilhar o conhecimento.
Pelo menos é isso que leva a crer a realidade da Wikipedia, que tem dois tipos principais de utilizadores: os visitantes que apenas lêem, e os editores que criam conteúdos.
Mais de 45% dos seus utilizadores têm menos de 35 anos e 82% dos que editam conteúdos estão acima dos 35!
Generalizando, a Web 2.0 tem sido um caso paradigmático de partilha e criação de conhecimento, mas estes números levam-me a crer que estamos ainda na fase inicial de algo que supera as nossas previsões e entendimento do que são as redes de partilha de conhecimento. Podemos para já verificar uma certa tendência para a aplicação do princípio de Pareto (80% das consequências têm origem em 20% das causas). Esta relação parece-lhe democrática?
Por mim, ainda não é! Pois se apenas 20% dos internautas criam conteúdo, os que não ciram são os restantes 80% mais todos os outros que sofrem de info-exclusão. É por isso importante criar, divulgar e validar conteúdo. Participar e dar o seu contributo.
Vejamos o caso do Youtube: pessoas de toda a parte do mundo a querer partilhar a sua vida, interesses, ideias e pensamentos, através de vídeos. Poderíamos pensar que este portal vem permitir aos utilizadores preencher algumas necessidades de narcisismo ou vedetismo, em que a notoriedade instantânea pode estar a apenas a um click de distância, dada a natureza e características daquilo que se partilha. A procura do "minuto de fama" pode levar muitos a aventurarem-se neste mundo digital. Mesmo que a conquista deste minuto de fama ocorra de uma forma inesperada, como foi o exemplo do cidadão inglês, e que aos 79 anos, já reformado, se tornou uma estrela internacional técnico de radar durante a II Guerra Mundial através de um vídeo que partilhou no Youtube.
Nada de errado nisto! Mas, considero que não são estes os principais motivos que nos devem mover. Tem que haver algo mais, como a vontade de partilhar, de abandonar o lado passivo do consumo cultural característico da web pré 2.0 e participar de uma forma activa, que nos permita não só consumir mas produzir cultura e também criar mudança.
Palavras-chave: e-colaboração, partilha de conhecimento, redes de aprendizagem, web 2.0, web semântica, web social, wikipedia, youtube.

