Mudar a hora é habitualmente fonte de confusões. Há sempre uns relógios que escapam ao acerto e há sempre alguém que chega ao emprego na hora errada. Mas a mudança de hora traz tantas vantagens à vida das pessoas e à economia do países que é um ajuste que vale bem a pena.
No próximo Domingo, dia 28 Outubro vamos mais uma vez mudar a hora, como em toda a União Europeia, nos Estados Unidos e em muitos países do mundo.
Pelas 2h da manhã, deve atrasar o seu relógio 60 minutos, dando-se, assim, início ao período da “HORA DE INVERNO”. No último domingo de Março far-se-á um ajuste análogo, mas em sentido contrário: os relógios adiantam-se.
Com isso, quase todos evitamos acordar ainda de noite e sair de casa antes do nascer do Sol. Anoitecerá mais cedo, mas isso acaba por custar ao país menos dinheiro, pois nessa altura já a grande maioria das empresas industriais terá terminado o seu horário de trabalho.
No início da Primavera far-se-á outro ajuste, nessa altura para entrar em vigor um desvio à hora normalizada e adicionar 60 minutos ao tempo de Greenwich. Com esse desvio, volta-se a poupar recursos, pois passa-se a acordar mais cedo e a aproveitar a luz da manhã, que aparece igualmente mais cedo. Passa-se também a aproveitar a luz de fim de dia, sem ser necessário recorrer à iluminação artificial para preparar o jantar ou para jogar à bola. Os acertos de hora representam uma poupança considerável, tanto no Verão como no Inverno.
História
Curiosamente, o primeiro a analisar o aproveitamento da luminosidade e os limites dos crepúsculos de forma rigorosa e quantitativa foi Pedro Nunes (1502-1578).
Um século passado sobre os trabalhos de Pedro Nunes, Christian Huygens inventou o relógio de pêndulo (1656).
Um outro século depois, cerca de 1760, começaram a ser construídos os primeiros relógios de bolso de precisão. A vida começou a ser regulada pelo relógio mecânico e passou a dar-se outro valor ao tempo.
Foi o político e inventor Benjamin Franklin (1706-1790) na altura com 78 anos, que, como embaixador do seu país em França e num artigo, publicado em 26 de Abril de 1784 com o título «Um projecto económico», sugere que a hora mude e que no Verão a vida comece 60 minutos mais cedo. Faz algumas contas e diz que Paris poderá assim poupar anualmente 32 mil toneladas de cera de vela.
Em 1907, William Willett um construtor Britânico e membro da The Royal Astronomical Society deu início a uma campanha para adopção do horário de verão naquele país. Naqueles dias o argumento utilizado era que haveria mais tempo para o lazer, menor criminalidade e redução no consumo de luz artificial.
Surgiram opositores de todas as áreas; fazendeiros, pais preocupados com as crianças que teriam que acordar mais cedo, etc.
Foi preciso um evento triste, a Primeira Grande Guerra, para os Estados sentirem a necessidade de poupar energia.
Em 30 de Abril de 1916, a Alemanha e a Áustria mudaram a sua hora legal, introduzindo a «hora de Verão». Três semanas depois, em 21 de Maio, outros países europeus seguiram o exemplo, entre os quais Portugal. Em 1917 foi a vez da Austrália e Nova Zelândia, e em 1918 dos Estados Unidos. Hoje, mais de 70 países aderiram ao regime de mudança de hora. Os cálculos de Pedro Nunes a ideia inovadora de Benjamim Franklin e a persistência de William Willet tiveram uma repercussão com que poucos na altura sonharam.
Em Portugal
1912
A hora legal no nosso País entrou em vigor no dia 1 de Janeiro de 1912.
1916
A chamada hora de Verão foi adoptada em 1916 por alguns países europeus, inclusive Portugal, durante o período em que os dias são maiores.
1941
Começou então o que se chama a dança dos relógios, com algumas interrupções, até 1941 e isto, dum modo geral, para seguir o que se passava em França e em Espanha.
1942
De 1942 a 1945, tendo em atenção circunstâncias decorrentes da Segunda Guerra Mundial, estabeleceu-se no nosso País uma dupla hora de Verão, escalonada em dois períodos: em meados de Março os relógios eram adiantados de uma hora; em fins de Abril avançava-se mais uma; em fins de Agosto atrasava-se uma hora e em fins de Outubro regressava-se à hora de Inverno (hora do meridiano de Greenwich ou Tempo Universal).
1946
A partir de 1946 cessaram as razões que levaram à instituição da dupla hora de Verão e voltou-se à situação anterior: hora de Inverno igual ao Tempo Universal; hora de Verão, o Tempo Universal adiantado de uma hora. Esta situação manteve-se até 1966.
1966
Em Outubro de 1966 foi determinado que no território do Continente a hora legal passaria a ser durante todo o ano a hora da Europa Central, isto é, o Tempo Universal aumentado de uma hora (TU+1). Deixou de haver Hora de Inverno e Hora de Verão.
1970
Porém, em princípios da década de 1970, alguns países da Europa, nomeadamente a Espanha e a França, voltaram a adoptar duas horas diferentes: uma no Verão (TU+2) e outra no Inverno (TU+1). Portugal não seguiu este princípio.
1975
Em princípios de 1975, a Comissão Permanente da Hora, foi de parecer que deveríamos voltar a ter uma hora de Verão e uma hora de Inverno, desfasadas de uma hora. Foi igualmente decidido que, em virtude da nossa posição geográfica, deveríamos tomar como hora legal do nosso País, durante o Inverno, a hora do meridiano de Greenwich; no Verão essa hora seria adiantada de 60 minutos.
1992
Em 1992, com o argumento de acompanhar nos horários de trabalho os países da União Europeia, foi estabelecido um novo regime de hora legal, no qual, durante o período de "hora de Inverno", passámos a estar adiantados de 60 minutos em relação ao Tempo Universal; durante o período de "hora de Verão" essa avanço passou a ser de 120 minutos.
Na prática, isso significava estarmos avançados de mais de 90 minutos em relação à hora solar durante o período de "hora de Inverno" e mais de duas horas e meia durante o período de "hora de Verão", o que acarretava bastantes prejuízos para os estudantes e para a população em geral.
1996
Em Janeiro de 1996, foi a Comissão Permanente da Hora mandatada para elaborar um parecer conclusivo sobre a possibilidade de alterar o regime de hora legal, tendo a mesma concluído ser conveniente regressarmos ao regime vigente antes de 1992. Tal traduziu-se na publicação do Decreto-Lei no17/96, de 8 de Março, que estabelece que a hora legal em Portugal continental coincide com o Tempo Universal Coordenado (UTC) no período compreendido entre a 1 hora UTC do último domingo de Outubro e a 1 hora UTC do último domingo de Março seguinte (período de hora de Inverno) e coincide com o Tempo Universal Coordenado aumentado de 60 minutos, no período compreendido entre a 1 hora UTC do último domingo de Março e a 1 hora UTC do último domingo de Outubro seguinte (período de hora de Verão). É esta a actual hora legal do nosso País e que, de acordo com a Directiva COM(2000)892 final, de 28.12.2000, do Parlamento Europeu e do Conselho, se manterá até 2006.
Fontes:
http://www.wikipedia .org
http://www.oal.ul.pt/oobservatorio/vol8/n2/vol8n2_2.html
http://www.forumbtt.net/index.php?topic=361.0;wap2
Palavras-chave: Benjamin Franklin, Christian Huygens, gmt, Greenwich, hora, Pedro Nunes, Segunda Guerra Mundial, William Willett

